segunda-feira, 21 de março de 2016

missao magnificat essencia do amor de Deus os 40 dias de jeus no desertojejum_jesus
nossa equipe recebeu a seguinte mensagem de um leitor do blog:
“Eu estou com outra dúvida, quando falam na bíblia dos 40 dias no deserto, que Jesus passou, eu posso interpretar como 40 dias num deserto literalmente? ou o 40 como um tempo suficiente pra Jesus meditar?”
– Nando Mendonça
Como não sabíamos a resposta, mandamos um S.O.S. pro Pe. Anderson Alves. Muito solicitamente, ele nos enviou o texto a seguir.
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Sobre a pergunta dos 40 dias, confesso-lhe que ainda não tenho uma resposta definitiva sobre o assunto, mas tenho alguns dados.
Antes, eu cheguei a pensar que o jejum de Cristo era como o de João Batista, que, no deserto, comia mel e gafanhotos, mas não encontrei essa opinião em nenhum padre da Igreja, nem em Santo Tomás, nem em algum Papa.
O Papa emérito Bento XVI disse numa homilia que o jejum foi mesmo total, sem comer e beber nada: “No Novo Testamento Jesus, antes de começar a vida pública, retira-se no deserto por quarenta dias, sem comer nem beber (cf. Mt 4, 2): alimenta-se da Palavra de Deus, que utiliza como arma para derrotar o diabo”. (Fonte: Site do Vaticano. Audiência Geral. 22/02/2012)
Li em outros lugares que os jejuns normais dos judeus eram de 40 dias sem comer nada, mas podia-se beber. Por isso diz o Evangelho que, depois dos 40 dias, Jesus sentiu fome (e não sede).
De qualquer forma, é importante notar que isso não foi um milagre de Jesus, mas pôde se realizar graças a uma capacidade natural do corpo humano. Ao que parece, o homem pode viver 40 dias sem comer nada.
“No final de 1991, o estudante de Medicina James Scott, então com 22 anos, viajou da Austrália para o Nepal para uma caminhada no Himalaia. Após uma tempestade, perdeu-se da trilha e, durante os 43 dias seguintes, sobreviveu apenas com bolas de neve derretidas e uma lagarta.”
– Site de Notícias Terra. Por quanto tempo podemos sobreviver sem comer? Veja casos. 29/06/2012
Como diz Santo Tomás de Aquino, Jesus tinha que poder ser capaz de fazer o mesmo que fez Moisés e Elias (jejum de 40 dias). E, o que é mais interessante, Jesus não fez jamais algum milagre para si mesmo. Se tivesse feito milagre para se nutrir no deserto, podendo-o fazê-lo naturalmente (como indo se alimentar nos vilarejos vizinhos), Ele estaria pecando. E foi essa justamente uma das tentações de Satanás: que o Senhor usasse de Sua condição divina para aliviar a fome.
Outra coisa é certa: Jesus Cristo era perfeito Deus e perfeito homem. E, como homem, Ele tinha fome, sede, cansaço e sono, e não se pode dizer que Sua humanidade tinha capacidades sobre-humanas (Ele não era um super-homem), nem que a divindade supria o que podia faltar à humanidade (como a alimentação do Seu corpo).
Ele assumiu inteiramente a nossa humanidade (exceto o pecado), e isso inclui as limitações físicas. A falta de alimento O atormentava e debilitava tanto quanto a qualquer homem; um tapa em Sua Face doía tanto quanto na face de qualquer homem.
Nos Evangelhos, Jesus Cristo é chamado de comilão e beberrão. Um professor meu dizia que essas duas palavras são dois títulos cristológicos. E logo depois da ressurreição, Jesus aparece aos discípulos e come com eles. Jesus Cristo ensinou os seus discípulos a jejuar quando o noivo não estiver presente e também os ensinou a comer e beber com o coração agradecido a Deus. Ele não absolutizou a prática do jejum, como outros líderes religiosos da sua época.
Nos milagres, a potência da Sua divindade agia por meio da sua humanidade (o que dá origem aos Sacramentos depois), mas Ele jamais fez milagres para si mesmo e nem tampouco fez milagres sem motivos sobrenaturais, sem que viessem servir à salvação e à conversão das pessoas.
Essa é minha visão por agora.
Pe. Anderson Alves é sacerdote da diocese de Petrópolis – RJ e doutor em Filosofia pela Pontificia Università della Santa Croce, em Roma. É também um dos colaboradores do site Presbíteros.

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